Como se diz socialista em francês ?

26 Abril 2012 por

Imagem de Camanha de Sarkozy:

Por entre o recorrente disparate

19 Abril 2012 por

daqueles que clamam pela cruzada estatal contra as malvadas agências de rating, a soldo de interesses dolarianos, eis que se vai provando que os consumidores insatisfeitos com serviços que lhes são prestados, sendo os soberanos decisores do que querem consumir, são os que melhor podem castigar/premiar quem comercializa serviços ou produtos. É esta a beleza do livre mercado.

[Bancos dinamarqueses estão a renunciar aos serviços da Moody's]

Defendendo o Indefensável

1 Abril 2012 por

“(…)there needs protection also against the tyranny of the prevailing opinion and feeling; against the tendency of society to impose, by other means than civil penalties, its own ideas and practices as rules of conduct on those who dissent from them; to fetter the development, and, if possible, prevent the formation, of any individuality not in harmony with its ways, and compel all characters to fashion themselves upon the model of its own. There is a limit to the legitimate interference of collective opinion with individual independence: and to find that limit, and maintain it against encroachment, is as indispensable to a good condition of human affairs, as protection against political despotism.” - John Stuart Mill, On Liberty

Uma determinada direita beata deambula pelas redes sociais com uma sede inquisitória que não lembra ao Papa – literamente. Se é certo que a Vida, como têm dito – e bem – não é propriedade do Estado, também é certo que a mesma não é propriedade de um deus,  de uma igreja ou de qualquer outro culto obscuro a que façam questão de pertencer. A Vida é propriedade do indivíduo e a este cabe ou não – desde que na plena posse das suas faculdades mentais – desfazer-se dela a seu bel prazer, por mais reprovável que este acto possa parecer aos olhos de alguns.

E a própria Felicidade – a suprema aspiração de uma sociedade livre – é um direito do indivíduo, no seu particular entender da definição e que, assim como a Vida, não está sujeito a qualquer intervenção divina que não se faça por vontade do próprio. No caso das crianças, sobretudo, é pornográfica a insurreição armada que se ergue contra a possibilidade destas encontrarem essa aspiração na forma de um lar e de uma família. É portanto uma ironia perigosa esta dos paladinos da moral que se julgam no direito de vetar a uma criança a possibilidade de ser feliz e de receber o carinho de uma família, argumentando como se o amor se medisse, não por actos, mas por uma jurássica concepção do agregado familiar. E quão moralmente condenável é este julgamento.

Por fim, é vê-los, na sua liberdade poética, dando largas -e bem largas – à inspiração filosófica na – chamemos-lhe assim – turva interpretação de tudo que é carta, princípio, tratado ou acordo que possa oferecer um pouco de luz, por mais que branda, artificial e efémera que seja, sobre os vagos princípios e moralidades que, como pão com bolor, têm andado na boca desta ilustre casta de iluminados. O problema de uma auto-apelidada direita não é o facto de terem fortes valores, muito pelo contrário. É precisamente a ausência, entre esse aparentemente bem estruturado conjunto de princípios, do princípio da Liberdade.

Ora se a minha luta contra a esquerda se prende principalmente com as suas tentativas de utilizar o Estado como instrumento de transformação da sociedade, a minha luta contra esta direita prende-se com as suas tentativas de utilizar o mesmo Estado, da mesma forma coerciva, como instrumento duma tradicionalização forçada da mesma sociedade. São parceiros, pois ambos teimam em impôr pela força a sua cartilha de valores. Defendem o indefensável, como disse Walter Block, para uma direita das liberdades.

Partidocracias

30 Março 2012 por

Entre a necessária salvaguarda da coerência ideológica e compromissos eleitorais de um partido e a absurda e cancerígena disciplina de voto, o equilíbrio só poderá ser atingido se se caminhar na direcção de uma maior responsabilização individual dos representantes em relação aos representados. Existem soluções interessantes.

Então aí, sim, notícias como esta ou esta não terão qualquer tipo de cabimento.

Limites da desconfiança

29 Março 2012 por

Com os limites da paciência cívica constantemente postos à prova com notícias das gestões danosas em projectos dependentes de alguma forma do Estado, uma certa elite política parece focada em testar o limite dos mesmos, aparentemente segura que está (e com razões histórias para o estar) da inconsequência legal dessas gestões que, se levadas à barra da justiça, condenadas estão a se perderem por entre meandros burocráticos coincidentemente sempre favoráveis aos mesmos. Desta forma, sempre que escândalos de corrupção e gestão danosa do dinheiro público vêm à superfície, imediatamente são tratados por esta mesma elite como tricanas políticas, campanhas de difamação ou politização da justiça. Paralelamente, a elite não se vai inibindo de, em todas as campanhas eleitorais, clamar por reformas na mesma justiça que parasiticamente infesta e influencia. Depois de eleições, as reformas são as do costume: de maquilhagem.

O clima de desconfiança consegue ser ainda mais adensado quando se assiste, de forma recorrente, ao curioso ressurgimento do dever de perscrutar que certas instituições têm apenas depois de mudado o ciclo político, provando que, de facto, os mecanismos de regulação e prevenção só se activam depois da borrada estar feita e os borrões terem saído dos quartos de banho públicos. A recente actividade do Tribunal de Contas quanto à Parque Escolar é só mais um capítulo desta longa saga.

Se o contexto pré-crise já era preocupante, no que toca a saúde de uma democracia, pelas taxas de abstenção reflectoras da indiferença e descrença geral dos cidadãos na política e nos políticos, no contexto actual de crise aguda, onde o populismo e a demagogia são tentação de muita gente desesperada facilmente instrumentalizada por radicalismos, os tempos não recomendam que as elites continuem a contar, ad eternum, com o desinteresse passivo da maioria.
Se esse mesmo desinteresse se tem revelado historicamente proveitoso às suas manigâncias, não é de ignorar que é sempre ele que acaba por mais cedo ou mais tarde legitimar, na sua passividade, os devaneios dos amanhãs que cantam.

Da hipocrisia

28 Março 2012 por

Opõe-se o CDS – e bem! – ao aumento da carga fiscal que incide sobre vinhos importados pelo Brasil e que muito pode prejudicar o sector vitivinícola português. Até aqui, tudo bem – mas há uma coisa que não compreendo. Então não era o CDS que, ainda há uns dias, defendia a adopção de “medidas proteccionistas para combater o desemprego”? 

Alguém que me explique isto: se o proteccionismo serve os interesses de um país ou de uma economia, não deveria ser normal, para quem o defende, que outros países adoptem também medidas dessa natureza? Se o proteccionismo protege postos de trabalho, porque raio não o adoptaria a Dilma? Então, em que ficamos? O proteccionismo é bom quando somos nós quem se fecha ao exterior, mas deixa de servir quando são os outros que se fecham a Portugal?

O costume

22 Março 2012 por

A greve geral e nacional, pelo seu nome, engana desde logo.
Primeiro, porque é principalmente uma greve de transportes que acaba por impedir muita gente de ir trabalhar.
Segundo, porque é mais em Lisboa do que qualquer outra coisa.
Ou seja, trabalha o contribuinte para sustentar as dívidas e os salários das empresas cujos trabalhadores donos de privilégios ímpares, não contentes, fazem da greve um desporto, e trabalha o Norte e o resto do país para sustentar as brincadeirinhas da Lisboa que parou no 25 de Abril.
Nenhuma novidade.

Sábia escolha de palavras:

19 Março 2012 por

Passos diz que “aumento dos combustíveis não depende do Governo”.

De facto, o aumento dos preços não depende do Governo. Pelo menos estes aumentos.

Mas o preço absoluto já depende. Se os impostos às gasolineiras e ao consumo de combustíveis fosse mais baixo, o preço dos combustíveis seria, por arrasto, também menor.

E que eu saiba, ainda é o Governo a fixar impostos, ou não?

 

Escolinhas

18 Março 2012 por

Ah!, como é bom saborear uma metáfora, que nos chega como um relâmpago, que irrompe terra dentro. As metáforas são a melhor técnica que alguma vez a dialéctica conheceu: não é que, na impossibilidade de descrevermos algo com precisão e clareza suficientes, conseguimos transportar isso para um mundo que se nos parece semelhante? Que melhor sensação essa, a de vermos na cara dos outros a luz, sinal de que, finalmente, fizemo-nos perceber através de uma comparação.

E vem isto a propósito de quê? Das jotas.

Comecemos pela direita, que isto não passa de um jogo de siglas: do CDS temos a JP; do PSD temos a JSD; do PS a JS; do Bloco de Esquerda nada sei e do melancólico e simpático PCP – que se se humanizasse seria um homem velhinho, chato, é certo, mas com muitas estórias para contar -, temos a JCP, que devem ter como ponto alto de actividades a organização da grande Festa do Avante na não menos pequena Quinta da Atalaia.

Contabilizadas as escolinhas, pergunta-se-me: onde estão, afinal, as metáforas?

Aqui: olho para as jotas, hoje, e vejo o conceito da série Morangos com Açúcar. De lá, dizem, saem grandes actores, homens e mulheres feitos para criarem uma nova geração de artistas, com talento e conhecimento transbordantes.
Nas jotas, o mesmo: rapazes e raparigas, homenzinhos e mulherzinhas, prontos para emergirem como a nova geração de políticos, mais talentosos, mais dotados, capazes de representarem, finalmente, o eleitorado.
Ah, que pena. Nada mais errado. Para ambos, para os putativos artistas e para os putativos políticos.

Nota de interesses 1: fiz parte de uma das escolinhas, a JP, durante uns meses.
Nota de interesses 2: aos meus companheiros de blog, alguns deles militantes das jotas, compreendam o regime de excepção que qualquer texto aceita. Sintam-se, assim e se a vossa consciência o sugerir, uma parte diferente de um todo que o texto retrata

Portugal também não

16 Março 2012 por

“Não precisamos de nada do Estado, não preciso que o Estado me dê doentes. Só preciso que o Estado não me chateie”, disse hoje Isabel Vaz, presidente da Espírito Santo Saúde. E até rematou: “Precisamos de um Estado que não atrapalhe”. Ora, touché: Portugal também não.


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